segunda-feira, 31 de outubro de 2011

I FORUM ESTADUAL DE SAÚDE BUCAL DA POPULAÇÃO NEGRA E QUILOMBOLA DE MINAS GERAIS

       Nos dias 26/10 e 27/10 no Auditório Mario Ribeiro da Silveira na UNIMONTES- Montes Claros reunirão se Mestres e Doutores de vários Estados, acadêmicos, profissionais da área de saúde, o Desembargador Presidente do TER do Distrito Federal e comunidades quilombolas para discutir as temáticas que envolvem a saúde das populações negras e quilombolas do Brasil.
Nas discussões sobre saúde a profª. e Drª. Ana Volochko do instituto de saúde de São Paulo pode transmitir a triste realidade da população negra no Estado. Os também professores e Doutores: Climene Laura de Camargo –UFB, Edna Maria de Araújo-UEFS, Maria Helena de Sousa Ide-PPGDS- unimontes, Amaro Sérgio Marques, Daniel Antunes-pesquisadores UNIMONTES e a americana Kimbely Marie Jones PH-D em antropologia puderam abordar os problemas que afligem as comunidades tradicionais cuja estatísticas revelam que o índice de mortalidade, doenças venéreas, prostituição, mentais, desnutrição e outras doenças a fins são quatro vezes maior para a população negra que para a população branca. São números assustadores que revelam a desigualdade e falta de equidade a saúde da população negra isto nos remete a falta de diagnósticos epidemiológico que dificulta a execução de ações diretas para minimizar as mazelas da saúde publica a estes acometidas.
        Na oportunidade a coordenadora do ministério de saúde do governo Federal, Martha Montenegro pode falar de programas de efetivação para a melhoria na saúde da população negra a serem discutidas nos dias 7/11 a 9/11 em Brasília onde haverá uma grandiosa “MARCHA QUILOMBOLA” e os representantes das comunidades poderão estar debatendo as verdadeiras situações desta população. Cabe aos movimentos negros, unirem se ainda mais, pois os direitos só se efetivaram com ações conjuntas deste movimento que ao longo da sua formação vem enaltecendo as garantias dos direitos destas “minorias” com 63% da população em estado de pobreza no Brasil.
            Para abrilhantar o evento realizada pela UNIMONTES- Montes Claros, a comunidade quilombola de Palmeirinha esteve presente, com o reisado do terno das ciganas que fizeram os professores e doutores presentes levantarem  e sapatear ao som do batuque dos Remanescentes de Quilombos da comunidade.

Neste encontro puderam ainda reunir-se com o Senhor Ruy Muniz, diretor do grupo FUNORTE, firmando convênios de parcerias para viabilizar formação técnico e superior, bem como da pratica esportiva do futebol local.O senhor Ruy Muniz autorizou a inserção de mais de vinte e cinco quilombolas da comunidade de Palmeirinha a ingressar na faculdade CEIVA- Januária da qual doze já se encontram nos cursos da instituição. Bem como uma AÇÂO QUILOMBOLA DE SAUDE, a realizar se em novembro na comunidade de Palmeirinha, contando com área de lazer para a crianças da comunidade e  equipes de profissionais de saúde das instituições FUNORTE, UNIMONTES de vários áreas (bucal, oftalmológico e clinico geral).


Ruy Muiniz abraça causa do Quilombo de Palmeirinha/MG.
A ação de Ruy Muniz vem certificar que homens de bem trabalhando em parcerias com comunidades e movimentos sociais podem mudar e transformar a realidade de famílias e é o que esperam os moradores do quilombo de Palmeirinha.
            






sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Coordenadores da Comunidade Quilombola de Palmeirinha, vão ao Quilombo de Julia Mulata



                       Os coordenadores da comunidade, buscam viabilizar caminhos para a implementação de ações que culminem na transformação do Quilombo de Palmeirinha.  Conhecendo a realidade de outras comunidades e o trabalho realizado pelo professor/doutor Daniel Antunes, dentre suas ações humanitárias voltadas para a saúde bucal em comunidades quilombolas, vale enaltecer o belíssimo trabalho realizado em Julia Mulata uma Comunidade formada por 32 famílias habitando em uma proporção de 19,0 hectares da qual a principal fonte de renda fica a cargo dos programas do governo Federal.
                   Com o apoio do município e o trabalho do Administrador de Luislândia, o Professor/Doutor Daniel Antunes realiza todos os domingos juntamente com alunos do curso de Odontologia da Unimontes, na comunidade de Julia Mulata um trabalho digno a ser copiado por outros municípios que reconheçam o valor da população negra constituída em zonas rurais como remanescentes Quilombolas. Apesar das dificuldades encontradas na comunidade de Julia Mulata localizada a 60 km da sede do seu município e das suas moradias de pau a pique, estes serão agraciados com 22 moradias do projeto de combate as doenças epidemiológicas cujo um dos seus principais agentes é o barbeiro e graças as ações e intervenções do Doutor Daniel Antunes os moradores de Julia mulata terão moradias dignas.


Agmar Lima e Girlene Teixeira, defrontar com a realidade de Julia Mulata é acreditar que as transformações são possíveis e que apesar de termos uma comunidade em condições mais favoráveis e de sermos ignorados por algumas instituições governamentais, vale crer que pessoas como o Doutor Daniel Antunes são humanamente passiveis de condicionar transformações reais nas comunidades quilombolas ao longo do norte de Minas Gerais, as parcerias estão sendo articuladas e graças a pessoas engajadas na causa Quilombola é que de fato faremos do Quilombo de Palmeirinha um modelo de comunidade.

Girlene quilombo palmeirinha, filha de D.julia mulata, Maria moradora de Julia Multa e agmar lima quilombo palmeirinha


                 
 Doutor Daniel Antunes e D. Maria moradora mais antiga do Quilombo.


quinta-feira, 13 de outubro de 2011

1º ENCONTRO QUILOMBOLA DO NORTE MINEIRO EM PEDRAS DE MARIA DA CRUZ


Bandeira da Comunidade

                NO ULTIMO FINAL DE SEMANA 30/31 DE JULHO FOI REALIZADO O 1º ENCONTRO DE COMUNIDADES DE REMANESCENTES QUILOMBOLAS EM PEDRAS DE MARIA DA CRUZ,  PARA  DISCUTIR A PROMOÇÃO DE POLITICAS DE IGUALDADE RACIAL DO NORTE DE MINAS.


NESTE  EVENTO REALIZADO PELOS COORDENADORES DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE PALMEIRINHA: AGMAR LIMA E GIRLENE TEIXEIRA ESTIVERAM PRESENTES AS SEGUINTES ENTIDADES E SEUS REPRESENTANTES: DO GOVERNO FEDERAL  A SENHORA MARIA AUXILIADORA LOPES SECRETARIA DE DIVERSIDADE DO MINISTERIO DA EDUCAÇÃO,  DO Governo de Minas Gerais A  Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social O SENHOR CLEVER MACHADO, COORDENADOR DA COORDENADORIA DE POLITICAS PRO-IGUALDADE RACIAL , DO Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (CONEPIR/MG) REPRESENTADO PELO PRESIDENTE O SENHOR RONALDO ANTONIO PEREIRA, DA Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais A FIGURA DA ILUSTRE PRESIDENTE SANDRA, COMO AUTENTICA REPRESENTANTE DAS LUTAS PELA IGUALDADE RACIAL NO NORTE DE MINAS GERAIS VERA BRECHO/MONTES CLAROS E COM AUTORIDADES COMO JOSE ANTONIO FIRME, VICE COORDENADOR DO FIPIR ESTADUAL, ADRIANA ROCHA, COORDENADORA DE APOIO A PRODUÇÃO DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS DO ESTADO, BEM COMO COM  AGRACIADAS E IMPÓRTANTES PERSONALIDADES QUE PROMOVEM E FORTALECEM A TRAJETORIA DOS AFRODESCENDENTES AO LONGO DA SUA TRAJETORIA DE LUTA A PROFESSORA/DOUTORA ANTONIA SUPERINDENTENDE DAS FACULDADES ISEIB E PROFESSOR FILIPE PRESIDENTE DA FUNADEM RESPONSAVEL PELO CURSO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA PARA PROFESSORES DE COMUNIDADES REMANESCENTES QUILOMBOLAS QUE NA OPORTUNIDADE PRESENTEOU A COMUNIDADE COM BOLSAS DE ESTUDOS INTEGRAIS PARA CURSO SUPERIOR PARA REMANESCENTES DO QUILOMBO DE PALMEIRINHA/PEDRAS DE MARIA DA CRUZ.

Mesa de abertura do encontro

NA OPORTUNIDADE PODEMOS CONTAR COM AUTORIDADES DOS MUNICIPIOS VIZINHOS TAIS COMO: CRISTIANO MACIEL SECRETARIO DE ASSISTENCIA SOCIAL DE JANUARIA REPRESENTANDO O PREFEITO MAURILIO ARRUDA, PROFESSOR CARNEIRO DIRETOR DO IFET E PARCEIRO DA COMUNIDADE QUILOMBOLA DE PALMEIRINHA, A PROFESSORA MARIA JOSE SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO MUNICIPIO DE JANUARIA, A SECRETARIA DE CULTURA DA CIDADE DE LONTRA A SENHORA EDIVANIA, AS PROFESSORAS E COORDENADORAS DO CURSO DE FORMAÇÃO CONTINUDA PARA PROFESSORES DE COMUNIDADES QUILOMBOLAS CONCEIÇÃO FIGUEIREDO E RALIME  AS COMUNIDADES DE REMANESCENTES QUILOMBOLAS DE PATOS, RETIRO DOS BOIS PAUDOLIO DE JANUARIA, BOM JARDIM DA PRATA DA CIDADE DE SÃO FRANCISCO, SACO DO BARREIRO DA CIDADE DE POMPEU E O QUILOMBO DE FORMIGA. , VAZANTEIROS E PESCADORES DE PEDRAS DE MARIA DA CRUZ E PROFESSORADO DA ESCOLA MUNICIPAL GUILHERME ARCANJO DE OLIVIRA A COMUNIDADE QUILOMBOLA DE PALMEIRINHA ESTEVE PRESENTE  E PODE APRESENTAR AS CULTURAS E TRADIÇÕES DO QUILOMBO COM AS MULHERES E TOCADORES DE ALTO GRANDE E JACAREZINHO PODENDO ACOMPANHAR DE PERTO TODAS AS DISCUSSOES QUE VIRARAM DEMANDAS A SEREM APRESENTADAS AOS GOVERNOS ESTADUAL E FEDERAL. AS AUTORIDADES E  TODOS OS PRESENTES APLAUDIRAM NAUSTAGICAMENTE AS DANÇAS E BATUQUES ALI APRESENTADOS, A ORIGEM DE NOSSOS ANCESTRAIS QUE NAS SENZALAS E TERREIROS TOCAVAM E DANÇAVAM PARA ALEGRAR E MINIMIZAR AS SUAS DORES.

Comunidade quilombola

DE ACORDO COM AGMAR LIMA E GIRLENE TEIXEIRA ESTE FOI O MELHOR ENCONTRO JÁ REALIZADAO PARA DISCUSSOES DA REALIDADE DAS COMUNIDADES REMANESCENTES DE QUILOMBO E POR SUPERAR AS EXPECTATIVAS E FORTALECER ALIANÇAS COM OS GOVERNOS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS, PODENDO ASSIM APRESENTAR AS DEMANDAS DIRETAMENTE AS SECRETARIOS DE ESTADO JÁ ENGAJADOS NA DEFESA DOS DIREITOS CONSTITUIDOS NO ESTATUTO DE IGUALDADE RACIAL.

coordenadores da comunidade e representantes governamentais

AS PROPOSTAS APRESENTADAS AOS GOVERNOS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNCIPAIS:


Durante o 1º encontro de comunidades remanescentes quilombolas de Pedras de Maria da Cruz e região, sabendo do interesse do Governador Antonio Anastasia em solucionar os problemas das Comunidades Quilombolas de Minas Gerais, apresentamos as seguintes demandas:
- Necessidade de melhor articulação entre sociedade civil e poder público local para que sejam viabilizadas e articuladas as políticas públicas para comunidades quilombolas no Norte de Minas Gerais;
- Que todos os municípios do Norte de Minas se comprometam a fazer parte do sistema nacional de políticas públicas de igualdade social por meio da criação da coordenadoria municipal de promoção da igualdade racial e criação do conselho municipal de promoção da igualdade racial;
- Que sejam criadas, dentro de todos os municípios que contenham comunidades quilombolas no Norte de MG, cadeiras nos conselhos de direitos e setoriais e que garantam sua participação. Isso se faz necessário para empoderar os quilombolas dos seus direitos de fazer controle social dos recursos oriundos do programa Brasil quilombola.
- Que o Governo de MG agilize a implantação do programa Luz para todos nas comunidades quilombolas já certificadas pela Fundação Palmares;
- Que governo de MG se comprometa através da sua Secretaria de trabalho em implantar cursos de qualificação profissional nas comunidades quilombolas respeitando o plano territorial de cada comunidade elaborado pelas suas associações quilombolas e que os oficideiros da qualificação profissional sejam sempre pessoas da comunidade, objetivando gerar renda e valorizar esses mestres de oficio.
- Que a SEDVAN insira no seu plano plurianual programas específicos para comunidades remanescentes quilombolas objetivando alinhar com o Programa Brasil Quilombola;
- Que o Governo de MG em parceria com as Prefeituras Municipais, por meio da Secretaria de Cultura valorize as manifestações culturais das comunidades quilombolas bem como a proteção desse patrimônio material e imaterial das comunidades quilombolas do estado de Minas Gerais;
- Que sejam implantadas em todas as comunidades quilombolas do estado de MG saneamento básico: água e esgoto;
- Que a Secretaria Estadual de Saúde implante nas comunidades as UBS – Unidade Básica de Saúde nas comunidades remanescentes quilombolas;
- Que a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social implante dentro das comunidades quilombolas em parceria com seus municípios, os CRAS – Centro de Referência de Assistência Social;
- Que a Secretaria de Estado de Agricultura oriente os municípios no Cadastramento das comunidades quilombolas nos programas de venda dos seus produtos agrícolas, frutos do cerrado etc.
- Que a Secretaria de Estado da Agricultura crie mecanismos de aproveitamento de lagoas e tanques existentes nas comunidades quilombolas para projetos de psicultura;
- Inserir as comunidades quilombolas de MG no Programa Minas Sem Fome, de acordo com lista da Federação Quilombola do Estado de Minas Gerais;
- Que a Secretaria de Estado de Educação cumpra com o que está estabelecido na lei 10639 e 11645;
- Que o governo do Estado de Minas Gerais por meio da secretaria de Saúde, promova o programa de Saúde de população negra priorizando as comunidades quilombolas.
- Que o governo de MG assuma o Programa Brasil Quilombola.


QUILOMBOLAS DE PALMEIRINHA FAZ FESTA PARA ANGARIAR FUNDOS PARA A FUNDAÇÃO DA SUA ASSOCIAÇÃO

Cantor Carlos Massa
                  Em linda noite na comunidade quilombola de Palmeirinha no Bar do Sr. Silvio e D. Terezinha ao som contagiante de Carlos Massa e a sonorização de Farley Som, no ultimo final de semana (20-08-11) a população local se reúne em massa, para angariar fundos e constituir a ASSOCIAÇÃO DE REMANESCENTES QUILOMBOLAS DE PALMEIRINHA (ARQUIP), que terá como principio: fins sociais, assistenciais, culturais e de promoção de igualdade a mesma será um órgão representante das famílias quilombolas da comunidade de Palmeirinha.
A comunidade além de estar em grande número nesse grandioso dia que alavancará uma nova Historia dentro da realidade da comunidade, pode contar com a contribuição dos quilombolas da comunidade com pratos tradicionais da região “o famoso franguinho caipira não poderia ficar de fora”. De acordo com os coordenadores da comunidade Agmar lima e Girlene Teixeira que estiveram à frente na organização deste evento, o sentimento é um só: A comunidade esta unida, todos buscam a transformação desta que possui grandiosas riquezas, além do seu povo admirável. Este evento só foi possível graças a cada um que direto ou indiretamente estiveram conosco, a toda comunidade a certeza de que seguiremos juntos na transformação real da comunidade quilombola de Palmeirinha.

História da Comunidade Quilombola de Palmeirinha

História da Comunidade

Comunidade já reconhecida-Lei n.7.668

Pedras de Maria da Cruz é um município mineiro da região do Vale do Rio São Francisco que conta atualmente com cerca de 10.900 habitantes. A ocupação da região iniciou no século XVIII. Maria da Cruz, que nomeia a cidade, era pertencente à família da Torre, e casada com Salvador Cardoso de Oliveira, sobrinho de Matias Cardoso de Almeida, bandeirante, fundador das Comunidades de Morrinhos, Amparo e São Romão, além de outras menores nas barrancas do Rio São Francisco, como Porto de Salgados (hoje município de Januária). Maria da Cruz e sua família eram fazendeiros poderosos, detentores de escravos. São associados a um movimento de revolta contra a devassa (cobranças  violentas de impostos não quitados) da Coroa Portuguesa, deflagrado no Vale do São Francisco, na segunda metade de 1700. Esse movimento deflagrou-se em vários combates em toda a região do médio São Francisco, e seus combatentes são referidos na memória coletiva dos moradores da região como os revoltosos.
Alguns dos moradores mais antigos de Palmerinha referem-se a essa revolta como uma origem da migração de seus antepassados para o lugar onde formou-se a comunidade Palmerinha. Esses ancestrais teriam vindos fugidos dos revoltosos, tanto de uma região da Bahia, a que chamam Parateca, quanto  da região que denominam de Gorutuba. Notadamente, Parateca e Gorutuba são nomes vinculados a comunidades remanescentes de quilombos do Vale do São Francisco -no estado da Bahia, nos municípios de Malhada e Palmas de Monte Alto, estão localizadas as comunidades quilombolas de Parateca e Pau D'Arco, na margem direita do rio São Francisco; e na atual Januária residem remanescentes de escravos fugitivos vindos das plantações de cana da Bahia e dos garimpos de Diamantina e Grão Mogol, denominados gorutubanos . Suspeitamos fortemente que a relação de Palmerinha com essas comunidades remanescentes de quilombos não é fortuita. Porém, a comunidade não dispõe de recursos (financeiros e humanos) para o desenvolvimento de uma pesquisa mais rigorosa que dê conta da apuração dessas histórias-memórias coletivas dos moradores de Palmerinha quanto a origem de seus ancestrais - dados tão relevantes para uma reconstituição mais completa da história da comunidade.
Palmerinha é uma comunidade rural atualmente constituída por cerca de 60 famílias – conta-se com aproximadamente 250 moradores. São agricultores familiares que compartilham uma trajetória social  - de muita precariedade em termos do reconhecimento dos direitos cidadãos de seus moradores; uma dimensão cultural  - seus modos de viver e fazer, sua visão de mundo, suas histórias sobre os antigos,  sobre os encantados do rio São Francisco, e sobre antigos escravos nagôs feiticeiros que habitaram ali ; e uma história (de ocupação da terra, de discriminações e violências em função da manutenção de sua terra, de migrações forçosas para outras regiões promissoras de uma vida melhor).
São em sua grande maioria negros, parentes, descendentes dos primeiros ocupantes da comunidade, que supõem-se viverem  há mais de 150 anos nessa terra que lhes provê o sustento e as condições básicas de sociabilidade. São em sua maioria católicos e exercem algumas formas de expressão particulares, tais como a dança de São Gonçalo, o batuque, as Pastorinhas e o Reisado, além de ofícios e ladainhas católicos ainda hoje cantadas em latim.
A consciência e o auto-reconhecimento quilombola do grupo foi intensificado com as ações de alguns moradores que se constituem como lideranças, principalmente depois de seu encontro com pesquisadores de um projeto cultural atuante no Vale do São Francisco. Esse projeto que, além de realização de atividades lúdicas e de entretenimento, conta com uma equipe de pesquisa. Tal equipe, esteve em Pedras de Maria da Cruz em 2006 e soube então que havia um quilombo por ali, conforme disseram alguns  dos moradores abordados  na sede da cidade. Diziam de  “um lugar onde só moravam ‘pretos’, todos parentes, que moravam em casa de barro com cobertura de palha”. A equipe de pesquisa buscou então ir de encontro ao assim indicado quilombo Palmerinha. Fizeram contato com alguns moradores, dentre eles um morador que atua como liderança para desenvolvimento de alguns projetos de geração de renda na comunidade. Na conversa, esse morador afirmava que apesar de desconhecer propriamente o que se significava o termo “quilombo”, Palmerinha tinha sim a característica peculiar de ser uma comunidade totalmente formada por negros, em sua grande maioria parentes, e de ocupação bastante antiga – “de mais de 100, 150 anos” – e que por isso meso se destacava e sofria muito pré-conceito no município de Pedras de Maria da Cruz. Por serem todos negros, de baixa escolaridade, com práticas  antigas tais como as benzeções e as curas por administração de raízes e outros remédios naturais - práticas acusadas como superstição –, e com uma vida muito parca e limitada em relação aos hábitos de consumo das pessoas da cidade.
A partir desse encontro e troca de informações com a equipe de pesquisa, o morador sentiu-se motivado  para investir  na busca pelo conhecimento do que seriam comunidades quilombolas no Brasil e quais as possibilidades de mudança de vida para esses grupos que dizia-se, estavam sendo melhor assistidos por políticas do governo federal. Esse morador-liderança reuniu-se então com outros parentes interessados em investigar melhor a história da sua comunidade (e que inclusive já desenvolviam atividades voltadas para a cultura tradicional do grupo, como o batuque, o reisado e as Pastorinhas) para mobilizar seu grupo em torno de um pesquisa sobre essa questão. Durante sua pesquisa, progressivamente, os moradores envolvidos passaram a  reconhecer na história das comunidades remanescentes de quilombos no Brasil, a história de sua própria comunidade: memória dos  parentes mais antigos (idosos, ainda lúcidos,  entre 60 e 97 anos de idade) sobre outras comunidades remanescentes de quilombos que, ao que suas lembranças indicam, foram lugar de origem dos seus ancestrais, fundadores de Palmerinha; resistência contra a violência de grandes fazendeiros interessados em suas terras; sofrimento pela discriminação das pessoas da cidade, em função de sua aparência e de seu modo de vida rural; precariedade no acesso aos direitos a que qualquer cidadão que comparece às eleições e escolhe seus representantes deveria poder desfrutar (saúde, educação, respeito e dignidade).
A medida em que foram tomando consciência de sua situação histórica e cultural, esses moradores de Palmerinha mobilizaram seus parentes e investiram em reuniões para informação, discussão e afirmação de um consenso sobre a sua identidade histórica e cultural: famílias negras, em sua maioria aparentadas em diferentes graus, descendentes dos primeiros ocupantes do lugar antigamente nomeado Fazenda Palmerinha ou Cascalho (conforme documento de espólio de senhora Juliana Hipólita de Souza): a velha Juliana Hipólita de Souza, seu esposo Ursulino, e um senhor de nome Julião, que não se sabe se era ou não, seu irmão.
Aos poucos, os moradores mais antigos, estimulados pelos mais jovens, têm se recordado de um e outro fato que vai se encaixando na reconstituição de uma grande narrativa que tenta dar conta da história da origem desse grupo que se auto-reconhece como comunidade quilombola – principalmente em função da origem de seus ancestrais fundadores da comunidade (Gorutuba e Parateca), seu parentesco extenso, sua história de persistência na área rural (muitos moradores migraram e anos depois retornaram pelo amor ao lugar), sua negritude (pela qual sofrem ainda hoje muito preconceito), suas práticas culturais que se destacam das de outras regiões do município,  e suas precárias condições de vida na terra (às quais atribuem um grande descaso das autoridades em função de sua condição étnica que não é valorizada pelos de fora).
 
Em função dessa tomada de consciência, em consenso, e dessa auto-identificação quilombola é que a comunidade vem agora solicitar à Fundação Cultural Palmares o amparo para que se desenvolva uma pesquisa mais rigorosa da genealogia e da história de formação de sua comunidade, Palmerinha, para assim conquistar a certificação oficial como comunidade remanescente de quilombo. Com essa credibilidade conquistada, acreditamos, poder prosseguir  mais fortalecidos com a luta pela valorização social e cultural de Palmerinha, creditada, agora pelo  reconhecimento do governo federal do  caráter étnico dessa comunidade, e de sua importância fundamental para a demonstração e valorização da diversidade cultural brasileira.